IMAGEM
Neste capítulo estaremos abordando a relação entre o criacionismo e a fé cristã.
É interessante observar o comportamento de alguns críticos do criacionismo. Assim que encontram, em um de nossos textos, alguma palavra que pertença ao universo religioso, logo utilizam esse fato para imputar, ao criacionismo, um caráter não científico, dogmático ou religioso. Por esse motivo, fizemos com que este capítulo fosse precedido dos anteriores exatamente para evitar esse tipo de conotação, esse tipo de equívoco.
Outro equívoco que temos observado deriva das palavras aqui já citadas da Profª Dª Helena Nader, presidente da SBPC (2013-2015): “O criacionismo é uma crença . . . não é ciência”, parecendo insinuar que há uma completa incompatibilidade entre fé e ciência, como muitos cientistas têm feito questão de explicitamente declarar.
Ocorre que a fé é completamente indispensável à nossa existência como seres humanos. É por causa da fé que temos, de que não seremos vítimas de um acidente, que diariamente saímos de nossas casas rumos às nossas atividades. Alguns, porém, não voltam com vida para os seus lares, mas todos vamos à luta crentes de que isso não acontecerá conosco.
Um exemplo real dos nossos dias vem do programa de vacinação de crianças. Na Europa, nos Estados Unidos e na Austrália cresce o número de pais que decidem não vacinar seus filhos contra a poliomielite, sarampo e outras enfermidades. Eles não creem na eficácia das vacinas ou creem que elas são nocivas. Como resultado dessas medidas, segundo a OMS, o Quirguistão, a Bósnia e Herzegovina, a Federação Russa, a Geórgia, a Itália, a Alemanha e o Cazaquistão registraram mais de 22.000 casos de sarampo em 2014 e 2015, para não falar em outras ocorrências.
Não há como dissociar a Fé da Ciência. Na matemática, por exemplo, todo o trabalho está alicerçado em axiomas, que entendemos como verdades não demonstráveis. Não são demonstráveis porque, em matemática, as demonstrações de um fato são feitas a partir de fatos já consolidados. Ocorre que os axiomas são os primeiros da fila e, assim, não há como se produzir uma demonstração a partir de fatos anteriores porque tais fatos não existem.
Apesar disso, nós os consideramos verdades porque ninguém pode negar o valor da matemática, em especial, no desenvolvimento tecnológico, presente em todos os setores da sociedade. Em outras palavras, quem não aceitar esses axiomas como verdades, não poderá fazer matemática.
Agora, é óbvio que todos precisamos depositar a nossa fé em algo que realmente valha a pena. Quem, por exemplo, escolher crer na existência do lobisomem estará perdendo seu tempo porque esse personagem do mundo da ficção inexiste no mundo real. Perdendo seu tempo, porém, pode não ser o mais indicado a ser dito. Quem mantém essa crença talvez não saia de casa em noite de lua cheia e, se um dia sair, e subitamente se assustar com alguma sombra, pode até ter um infarto, de modo que a crença que mantemos, embora distante da realidade, pode não ser uma ação inócua.
Matemáticos, por exemplo, estão bem tranquilos quando aceitam os axiomas da matemática co-mo verdades e com eles trabalham na construção da sua área de especialidade que, como já dissemos, tem a sua importância devidamente comprovada. Pais que escolhem vacinar os seus filhos por acreditar na eficácia das vacinas têm visto seus filhos atravessarem a infância com mais tranquilidade. Foi atendendo às recomendações dos programas de vacinação do governo e dos médicos em geral que logramos erradicar, em nosso país, o fantasma de várias enfermidades, como a poliomielite, por exemplo.
Mas vamos à pergunta capital deste capítulo:
Qual a relação entre o criacionismo e a fé cristã?
O criacionismo é especialmente importante, não só por extrair da natureza o que ela tem a nos dizer acerca das nossas origens, mas também pela sua relação com a fé cristã que, diga-se de passagem, é uma via de mão única, do criacionismo para esta fé, e não o inverso. Também já dissemos que, em matéria de fé, a escolha acertada daquilo em que devemos crer é fundamental como estratégia para que o objeto da nossa fé tenha uma profunda conexão com a realidade e nosso tempo não seja perdido nesse processo.
Vemos, portanto, que o criacionismo valida a narrativa bíblica da criação, bem como outros textos bíblicos relacionados com as origens. Assim, se o criacionismo partisse do que a Bíblia diz esse e-feito não poderia ser sentido. Em consequência, os resultados apresentados pelo criacionismo trazem conforto e alívio aos que professam a fé cristã, incomodados que estavam com as insinuações oriundas da teoria da evolução de que o acaso explica todas as facetas do mundo em que vivemos.
Vamos, agora, falar um pouco a respeito do que pensam os cristãos acerca da história da humanidade, do sentido da vida e do futuro ainda à nossa frente. Será interessante conhecer estas particularidades, não só para termos uma ideia mais precisa a respeito da fé cristã, como também porque este conteúdo, segundo os cristãos, deve interessar a todos os seres humanos, mesmo que você não tenha nenhum comprometimento com o cristianismo.
Segundo o manual da fé cristã, a Bíblia, o mundo foi, originalmente, criado perfeito. O primeiro homem, entretanto, fazendo uso de seu livre arbítrio, desobedeceu o Criador, trazendo o estigma da imperfeição a toda a natureza. Segundo os cristãos, esta é a causa de todas as mazelas que temos observado ao longo da história da humanidade. A mentira que parece latente em nossas crianças, mesmo em tenra idade; o desrespeito tão comum em nossos jovens; a resistência às leis, mesmo àquelas tão fáceis de serem obedecidas, como não falar ao telefone dirigindo ou esperar que um pedestre atravesse a rua em local apropriado; corrupção, roubos, assassinatos, guerras; desastres naturais, como enfermidades, pestes, terremotos, tsunamis, tudo isso teve sua origem naquele primeiro ato de desobediência que nos contaminou a todos.
Segundo os cristãos, apesar de termos trilhado um caminho sem volta com nossos próprios recursos, Deus nos proporcionou uma segunda chance que nos permite novamente vislumbrar a possibilidade de desfrutar do propósito da vida, conforme concebido pelo Criador desde o início dos tempos. Há, entretanto, algumas condições para que isto seja tornado possível e que enumeramos a seguir:
(a) Arrependimento. “Antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” (Lc. 13:3). Essas palavras foram ditas por Jesus que, obviamente, bem sabe quais são as regras do jogo da vida. O reconhecimento de que somos pecadores e o consequente arrependimento são partes indispensáveis desse processo, se desejamos mesmo um relacionamento efetivo com o nosso Deus, mas isto é só o começo. O próximo passo é:
(b) Crer em Jesus. “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja morto, vive-rá” (Jo. 11:25), disse Jesus, dando-nos as coordenadas para a vida eterna. Agora, alguém que veio até aqui poderia pensar que Jesus é mesmo uma via de acesso a Deus, mas que pode haver outros caminhos igualmente produtivos. Isto nos leva a um aprofundamento maior dessa realidade, como destacamos a seguir:
(c) Depender só de Jesus. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo. 14:6). Em outro ponto, falando a respeito de si mesmo, Jesus também disse: “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado” (Jo. 3:18). Pedro também foi inspirado a nos relatar essa realidade quando, referindo-se a Jesus, disse: “Em nenhum outro há salvação, pois também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At. 4:12). Agora, alguém que tenha vindo até este ponto poderia pensar que não falta mais nada, que é só chegar até aqui e ponto. E ficar de braços cruzados, mas esta ainda não é toda a verdade. Veja o que vem em seguida:
(d) Mudança de vida. “Arrependei-vos e convertei-vos para que sejam apagados os vossos pecados” (At. 3:19). Vemos, assim, que é essencial que apresentemos uma mudança de vida para um novo padrão, de acordo com os princípios que Deus tem estabelecido para os seus filhos desde a fundação do mundo. “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama. E quem me ama será amado do meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei nele” (Jo. 14:21), disse Jesus.
Foi Jesus mesmo quem disse: "Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas" (Jo. 10:11). E foi o que Ele fez, morrendo na cruz do Calvário para que nós fôssemos salvos "pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Cristo Jesus Nosso Senhor" (Rm. 6:23). Nessa nova realidade, não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, pois as primeiras coisas são passadas . . . Quem vencer herdará todas estas coisas e eu serei seu Deus e ele será meu filho" (Ap. 21:4,7).
As coordenadas para essa transformação foram todas aqui mencionadas. Não foi interessante conhecer o ponto de vista do cristianismo para a humanidade em geral? O que acontece a seguir é responsabilidade de cada pessoa que se viu confrontada com essas informações!
