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A expressão "caça às bruxas" ficou muito conhecida na época da inquisição, quando várias pessoas foram perseguidas, presas e condenadas à morte pela prática da bruxaria. O obscurantismo foi o tom característico desse período de totalitarismo eclesiástico em que muitos dos sacrificados eram apenas elementos visados pelo sistema porque representavam uma ameaça ao poder.
Aos poucos, os princípios democráticos foram ganhando espaço e garantindo a liberdade de expressão de culto e até mesmo de bruxaria. Bruxos, hoje, estão com a cotação em alta e alguns são autores de verdadeiros best-sellers do momento.
O problema, entretanto, quando se sai de um extremo rumo a uma posição de equilíbrio, é parar na hora certa. Isto é assim porque as pessoas, em geral, evitam o confronto, preferindo a passividade, enquanto aguardam melhores tempos. E quando estes não aparecem, quando a ansiedade se acumula além dos limites suportáveis, chegou a hora da partida. Nesse momento, a inércia é vencida com um ímpeto tão grande que quase sempre não se consegue parar onde se deseja e a trajetória tende a continuar em direção à outra extremidade.
Aí, tudo sem complica um pouco mais porque as extremidades se tocam e isto significa que praticamente voltamos ao ponto de partida, com os mesmos valores, as mesmas tensões, em geral caracterizados por uma permuta de funções, com a caça virando caçador e vice-versa.
Há cerca de duas décadas nascia, nas dependências do Christian Heritage College, na Califórinia, o Institute for Creation Research (Instituto de Pesquisa da Criação), uma organização destinada a formar profissionais (mestres e doutores) em várias áreas científicas, mantendo um enfoque criacionista em seu programa de estudo. O ICR não teve qualquer dificuldade em obter sua licença de funcionamento perante as autoridades já que, como instituição regularmente inserida no contexto educacional norte-americano, o instituto se dispunha a cumprir o currículo mínimo obrigatório para os vários cursos oferecidos.
Cedo, porém, ICR consolidou suas bases, ampliou seu raio de ação com a publicação Acts, Facts and Impact (Atos, Fatos e Impacto), e deu início a uma verdadeira cruzada de palestras, conferências e debates nas principais universidades norte-americanas. Os efeitos logo se fizeram sentir, com os debates mostrando-se catastróficos para a posição evolucionista. Em pouco tempo já não se encontrava mais quem se aventurasse a participar de um confronto de idéias perante uma audiência universitária.
Foi em meio a esse caos que evolucionistas decidiram abandonar o fórum das batalhas intelectuais e investir por trás dos bastidores, procurando convencer o sistema educacional norte-americano a cassar a licença do ICR. Em uma primeira investida, tudo que conseguiram foi que o instituto se visse obrigado a deslocar toda a argumentação criacionista para disciplinas sem crédito. Isto, na verdade, já foi um golpe bastante duro e só quem participou de um programa de estudo sério sabe avaliar a extensão dessa medida. Um programa de mestrado ou de doutoramento já e suficientemente pesado por si mesmo e nenhum estudante, a menos que esteja profundamente interessado, irá cursar uma disciplina que não valha um único crédito. Assim mesmo, o ICR cumpriu essa determinação.
Não satisfeitos com os resultados obtidos, grupos evolucionistas investiram novamente e, desta feita, conseguiram que um tribunal cassasse a licença de funcionamento do ICR. O instituto, porém, recorrendo a um tribunal superior, não teve que fechar suas portas até que o caso fosse julgado novamente, dentro do prazo de um ano. Assim, apesar do final quase feliz, os prognósticos eram de que tempos difíceis estavam à espreita no futuro.
Tudo isso indica, na verdade, um novo tempo de "caça às bruxas", só que desta vez de modo invertido, com as bruxas caçando. Os perseguidores de hoje são os que pretendem manter o bom senso enclausurado, que desejam ver de volta os tempos de obscurantismo, porque isso favorece a imposição de pontos de vista que não resistem a argumentos baseados na lógica e na razão.
Enquanto o ano de espera se transcorria, o articulista Forrest Mims, do Texas, foi rejeitado para escrever a coluna "Cientista Amador" na revista Scientific American por não aceitar a teoria da evolução, entendendo que os principais tipos básicos de vida haviam sido criados independente-mente uns dos outros. O curioso é que Mims já havia publicado, com sucesso, seus artigos, não só nesta revista, como em outras conceituadas revistas científicas, sendo considerado sempre um profissional muito competente. Registre-se, de passagem, que o artigo rejeitado não abordava a questão das origens. Assim, mais uma vez ficou caracterizada a intenção dos evolucionistas de discriminar qualquer pessoa que não esteja em plena sintonia com seus pontos de vista em relação às nossas origens.
O dia do julgamento chegou em meio a uma expectativa muito grande. Se perdesse, não haveria possibilidade de apelação. O ICR apresentou-se munido de seus advogados e de uma cuidadosa defesa de suas posições. Finalmente, a corte suprema se pronunciou favoravelmente ao ICR, que ficava definitivamente livre para funcionar e para ensinar o modelo criacionista das nossas origens em sala de aula, sendo esta medida válida para quaisquer outras instituições norte-americanas que julgassem que assim deveriam proceder.
Tudo isso caracteriza os novos tempos que apenas começam a ser difíceis. Nada disso, porém, intimida criacionistas e esta série é prova disso. Criacionistas sabem que estão em uma defesa muito objetiva do modelo criacionista, que entendem ser a real explicação das nossas origens. As idéias de Darwin a respeito da origem das espécies explodiram, no século XIX como uma bomba moderna de muitos megatons, destruindo a mente das pessoas, mas deixando-as vivas. Hoje, porém, estamos preparados para discutir essa e outras questões pertinentes ao debate que daí se originou. Passemos, então, a essa questão nevrálgica da polêmica entre criacionistas e evolucionistas.
E sobre a origem das espécies? Não temos, aqui, um momento mais favorável aos evolucionistas?
Vamos, inicialmente, examinar a posição evolucionista a respeito da origem das espécies. Este era, de fato, o único conteúdo que Darwin pretendia explicar em seu livro com este mesmo título, A Origem das Espécies. Sobre a origem da vida, Darwin dedicou apenas um parágrafo em seu livro, dizendo acreditar que os primeiros germes de vida havia sido colocados por Deus na Terra. Este parágrafo, porém, foi logo suprimido, tendo aparecido apenas em sua primeira edição.
Darwin havia feito uma viagem ao redor do globo, como naturalista, com a responsabilidade de descrever a fauna e a flora dos lugares visitados. Foi compilando esses dados que ele teve a ideia de que as espécies de seres vivos haviam se originado umas a partir das outras. As evidências descritas por Darwin, entretanto, resumiam-se a variações dentro de uma mesma espécie. Segundo ele, as diferenças observadas entre os indivíduos de uma geração e os da geração seguinte poderiam se acumular ao longo dos anos e, assim, dar origem a uma espécie tão diferente da original que um possível observador que presenciasse apenas o início e o fim do processo nem suspeitaria que uma poderia ter se originado a partir da outra.
Ocorre que o trabalho científico não consiste apenas em descrever possíveis mudanças que possam ocorrer no meio ambiente. Se dizemos, por exemplo, que as espécies de seres vivos tiveram origem umas a partir de outras, precisamos especificar o mecanismo da natureza responsável por tais mudanças. Registre-se, aqui, que a ideia da evolução é bastante antiga, tendo sido Darwin o primeiro a sistematizar essa ideia. Nesse sentido, Lamarck (1744-1820), um cientista anterior a Darwin (1809-1882), foi o primeiro a produzir uma explicação a respeito desse mecanismo.
A teoria proposta por Lamarck postulava a transmissão hereditária de caracteres adquiridos pelos organismos por ação do ambiente, tais como o desenvolvimento ou atrofia de um determinado órgão, motivado por maior ou menor uso. Essa doutrina influenciou o pensamento evolucionista durante a maior parte do século XIX.
Lamarck acreditava que um novo meio ambiente suscitava novas necessidades que os animais procuravam satisfazer através de algum esforço. Tais necessidades, então, gerariam novos hábitos que, com o tempo, modificariam suas características de modo cumulativo e permanente.
Assim, as girafas teriam adquirido pescoços compridos através do esforço que faziam para se ali-mentar das folhas que cresciam nas partes mais altas das árvores. Com os avanços da genética, descobriu-se que essas ideias careciam de fundamento científico e, assim, o Lamarckismo caiu em descrédito, permanecendo ainda vivo nos trabalhos dos cientistas soviéticos, até ser finalmente descartado por volta de 1930.
Mas será que foi mesmo descartado? Alguns livros utilizados em sala de aula nas escolas e universidades ainda revivem as ideias de Lamarck, desconsiderando as descobertas científicas já sedimentadas há mais de meio século no campo da genética.
A segunda tentativa para explicar o mecanismo da natureza responsável pela evolução veio através de Charles Darwin. Segundo Darwin, o mecanismo da evolução era constituído de dois fatores: a variabilidade genética dos seres vivos e a seleção natural. Ele havia observado que entre uma geração e outra de seres vivos há sempre muitas diferenças, e pensou que, com o tempo, elas poderiam se acumular e gerar modificações substanciais nas espécie existentes. A seleção natural, então, cumpriria seu papel de selecionar, entre as variedades ocorridas, as mas aptas à sobrevivência.
Desse modo, vemos que o ponto de vista de Darwin tinha por base o potencial genético de cada espécie, a capacidade que cada ser vivo tem de projetar nas sua prole características que ele guar-da codificadas em si mesmo, mas que nem sempre manifesta em seu próprio organismo. A partir daí, uma verdadeira luta pela sobrevivência teria lugar, e os mais fortes, mas aptos iriam sobreviver e se reproduzir, transmitindo à sua prole condições mais favoráveis.
A diferença marcante entre a posição de Lamarck e a de Darwin é que Lamarck baseava-se em um princípio apenas imaginado e, posteriormente, revelado falso, enquanto Darwin tinha por sustentação de sua teoria dois autênticos fatos da natureza: a seleção natural e a luta pela sobrevivência. A questão toda residia no fato de que não era tão óbvio que esses dois fatores pudessem ser suficientes para fazer surgir novas características. E sem novidades entrando em cena não se poderia jamais passar de uma espécie para outra.
O tempo, porém, cuidou de mostrar, primeiro com os trabalhos de Mendel, depois com os de Hugo de Vries, que esses dois fatores não podiam ser responsáveis pelo surgimento de novas características em uma dada espécie de seres vivos Foi assim que a evolução perdeu mais um dos mecanismos propostos para explicá-la, o que desferia um golpe muito profundo na ascensão do evolucionismo.
Foi no início do século passado que Hugo de Vries (1848-1935), um professor de botânica da Uni-versidade de Amsterdam, observou mudanças súbitas nas novas gerações de um tipo de prímulas e as chamou de mutantes. Descobria-se, desse modo, um fenômeno da natureza capaz de produzir o tipo de alteração em um organismo vivo que talvez pudesse servir aos propósitos da teoria da evolução. Mutações eram uma realidade e podiam ocorrer espontaneamente, como resultado de acidentes na duplicação do material genético, ou induzidas por fatores externos, tais como radiações eletromagnéticas e certos agentes químicos.
Este era o alento ansiosamente esperado pelos evolucionistas. Em função da descoberta, a teoria da evolução rapidamente se fortaleceu reconhecendo que Darwin não estava bem certo em suas postulações, mantendo o papel da seleção natural e introduzindo as mutações como trunfo de ouro. Só restava saber se as novas protagonistas tinham condições para figurar como carro-chefe da evolução.
Infelizmente, porém, para os evolucionistas, como acidentes que são, as mutações tendem a diminuir o grau de complexidade dos organismos atingidos, comprometendo-os em suas funções vitais. Veja o que disse a esse respeito H. J. Muller (1890-1967), geneticista detentor do prêmio Nobel pelo seu trabalho com mutações:
"Está inteiramente em acordo com a natureza acidental das mutações que extensivos testes têm corroborado em mostrar que a vasta maioria delas é deletéria aos organismos no seu desempenho de sobreviver e de se reproduzir, do mesmo modo como mudanças acidentais introduzidas em qualquer mecanismo artificial são predominantemente prejudiciais à sua operação. Boas mutações são tão raras que podemos considerá-las todas más" (How Radiation Changes the Genetic Constitution - Bulletin of the Atomic Scientist, 11(1955), p. 331)
A conclusão é, então, mais do que óbvia: como fenômeno da natureza capaz de alterar o código genético dos seres vivos, as mutações representam a última esperança dos evolucionistas. Em consequência, Darwin estava equivocado em sua teoria sobre a origem das espécies e isto compromete profunda e radicalmente a teoria da evolução.
Em contrapartida, uma das mais conhecidas leis da natureza, a lei da Biogênese, nos traz luz das mais esclarecedoras sobre esta questão. Esta lei afirma que vida provém somente de vida e que cada ser vivo descende de outro semelhante a ele. Em outras palavras, é um equívoco pensar que todos os seres vivos estão interligados e que todos descendem de um único ser vivo unicelular.
A verdade sobre nossas origens, que salta aos olhos de toda e qualquer pessoa que examinar esta questão com a devida isenção, é que macacos sempre foram macacos, cães sempre foram cães, bactérias sempre foram bactérias e seres humanos sempre foram seres humanos.
Temos visto, ao longo desta série, que o criacionismo não extrai suas conclusões da teologia, de dogmas religiosos, mas do que a natureza tem a nos dizer sobre nossas origens. De passagem, vimos, também, que a matéria não pode ser eterna, o que demanda a existência de um agente externo que a trouxe à existência; que o universo teve um começo e terá um fim; que o surgimento da vida por mera obra do acaso ou circunstâncias naturais é uma impossibilidade; que os seres vivos não surgiram uns a partir dos outros, mas foram feitos independentemente uns dos outros. Todas essas considerações apontam diretamente para a realidade da criação, trazendo à cena a-quele que é o autor da vida.
