4 Definindo o criacionismo

    IMAGEM
     
    Observamos, em nosso último capítulo, que a definição apresentada pela mídia e pelos cientistas evolucionistas do que é Ciência não condiz com o que dela se espera e, muito menos, está de acordo com a etimologia da palavra. A definição por eles proposta só serve para desqualificar a pesquisa científica e promover o seu próprio conceito subjetivo, com vistas a validar o raciocínio evolucionista. Fica patente, portanto, a direção clara e objetiva que criacionistas imprimem ao seu raciocínio e desafiamos a quem quer que seja a provar o contrário.

    O fato é que não se faz Ciência com meias verdades, mas com verdades inteiras. Isto não significa que, em um dado momento da história, ou sabemos tudo, ou não sabemos nada. Não. É fato também inconteste que o conhecimento científico é progressivo, isto é, que a Ciência, como um corpo dinâmico, avança através dos tempos se complementando.

    Até 1846, por exemplo, só sete planetas eram conhecidos: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno e Urano. Foi nesse ano que Netuno foi descoberto, não pelo método visual, mas através de cálculos matemáticos a partir de interferências observadas na órbita de Urano. Significa isto que a Ciência daquele tempo dizia que o sistema solar tinha apenas 7 planetas girando à volta do nosso sol? Obviamente, não! O correto seria dizer que a Ciência daquele tempo só possuía o registro da existência de 7 planetas em nosso sistema solar. Há um oceano de distância entre essas duas declarações.

    Assim, por um lado, o conhecimento científico que temos acerca da natureza estará sempre limitado às condições de cada época, porque os resultados da investigação científica dependem do conhecimento já adquirido, de novas pesquisas, e dos avanços da tecnologia que, através da produção de novos instrumentos, nos proporcionam condições de pesquisa cada vez mais favoráveis. Devemos ter sempre em mente que a Ciência condena o subjetivismo porque este, via de regra, diminui ou nega a racionalidade e a objetividade do conhecimento.

    Enfim, o conhecimento científico exige formulações exatas e claras pois requer verificação segundo os padrões do método científico antes que possamos nos sentir livres para aceitá-lo como verdadeiro. É exatamente este tipo de transparência que os criacionistas desejam ver em suas discussões acerca das origens o universo e da vida.
     

    Nesse caso, podemos definir o criacionismo de modo mais objetivo? E o evolucionismo?

    Já dissemos antes que, como movimento, o criacionismo surgiu no início do século passado, congregando cientistas que, discordando da visão de mundo evolucionista, resolveram pesquisar as origens do universo e da vida em busca de respostas mais convincentes. O movimento cresceu desde então, espalhando-se por todos os países, e hoje abriga muitos cientistas altamente respeitados no mundo da Ciência e que antes eram evolucionistas. Rejeitamos, portanto, qualquer tentativa de classificar este movimento como mais uma incursão no campo da religião ou mesmo como um movimento apenas defendido por pessoas sem as devidas credenciais científicas.
     
    A mídia, entretanto, bem como os cientistas em geral, insistem em posicionar o criacionismo no campo teológico. Até mesmo o Design Inteligente, um movimento até certo ponto paralelo ao criacionismo mantém esse ponto de vista. Em seu manifesto, após declaração de não ser favorável ao ensino do conteúdo do Design Inteligente nas escolas, a respeito do criacionismo registra as seguintes palavras:

    "Quanto ao criacionismo, na sua versão religiosa e filosófica, por causa de seus pressupostos filosóficos e teológicos, entendemos que deva ser ensinado e discutido, junto com as evidências científicas que porventura o corroborem, em aulas de filosofia e teologia, dando a estas disciplinas o seu devido valor no debate sobre as nossas origens."

    Vemos, portanto, que é tempo de apresentarmos uma definição objetiva do criacionismo., sem o que uma discussão também objetiva, incluindo o conteúdo criacionista, torna-se completamente inviável. Passemos, então, a essa definição:

    O criacionismo, tanto quanto o evolucionismo, é uma interpretação de fatos da natureza relacionados com as origens do universo e da vida. Os fatos aqui referidos, ocorreram no passado, de modo que a interpretação correspondente se faz com base nos resultados da pesquisa científica conduzida pelos cientistas, em fatos históricos, quando isso é possível, e em conjecturas (hipóteses) quando esses fatos se mostram inacessíveis.

    Neste trabalho, que se constitui a própria essência do criacionismo, não há nenhum recurso a questões teológicas ou ao texto bíblico. Quando muito, a fé cristã pode servir de inspiração, de motivação para o trabalho a ser realizado. A motivação, entretanto, quando trabalhamos seriamente, só nos coloca em ação, não comprometendo os resultados alcançados. Na arqueologia, por exemplo, vários sítios arqueológicos foram descobertos em locais que hoje são desertos, apenas porque as cidades correspondentes eram mencionadas na Bíblia.

    Vamos ilustrar o que estamos afirmando com uma demonstração. Quando vemos um mapa cartográfico do mundo logo somos despertados para a ideia de que, no passado, havia um único continente. A África, por exemplo, se encaixa perfeitamente na América do Sul. Assim, a pangea (um só continente) é praticamente um consenso entre os estudiosos. A pergunta que surge é: como foi que este único continente se fragmentou gerando os atuais continentes?

    Obviamente, nenhum de nós estava lá para ver o que aconteceu, de modo que, qualquer explicação terá, forçosamente, que incluir algumas conjecturas. No contexto evolucionista, a velocidade atual de afastamento entre os continentes foi projetada para o passado e, assim, se concluiu que esses continentes começaram a se separar há alguns bilhões de anos passados.

    O problema é que há, nesse raciocínio, um erro básico de Física! Quando uma força atua sobre um objeto, colocando-o em movimento, por força do atrito e outras questões ambientais, esse objeto vai perdendo velocidade até eventualmente parar. Este fato inquestionável da natureza não é levado em consideração no contexto da explicação evolucionista, assim como não há uma explicação plausível para a fragmentação daquele único continente em vários continentes.

    O criacionismo, por sua vez, parte de um fato presente nos livros de Geologia, de que uma das camadas da crosta da Terra é um verdadeiro cemitério de fósseis de diversos tipos, todos mistura-dos. Esta camada, presente em todos os continentes, é evidência significativa de uma catástrofe em que todo o planeta foi coberto pela água, porque a presença de água gera condições ideais de fossilização. Veja o que diz a esse respeito o geólogo evolucionista A. McAllester, autor do livro The History of Life:

    "Em nítido contraste com o registro pré-cambriano, constituído predominantemente por plantas simples, verifica-se um rápido e drástico aparecimento dos primeiros animais . . . Os primeiros fósseis animais não são os primitivos, unicelulares, como seria de se esperar, mas sim formas complexas, multicelulares, cujo aparecimento tão tardio na história da Terra tem sido um dos mais embaraçosos problemas."

    Lembrando o que ocorreu com a ilha de Cracatoa, há pouco mais de 100 anos, quando água do mar entrou pela boca de um vulcão, gerando uma explosão tão grande que a ilha ficou reduzida a 1/6 de suas dimensões, podemos imaginar a magnitude da catástrofe a que aqui nos referimos, quando todos os vulcões, e há muitos montes que hoje são vulcões extintos, tiveram água do mar entrando pelas suas bocas.

    Com certeza essa catástrofe foi tão grande que deve ter rasgado aquele único continente em várias partes, imprimindo a essas partes uma velocidade inicial compatível com a magnitude do evento. Assim, considerando o que dissemos a respeito do atrito, é possível concluir que tal catástrofe pode ter ocorrido mais recentemente do que os evolucionistas podem imaginar.

    Rasgando-se o continente de um lado, gerando o vale em que hoje se encontra o oceano Atlântico e, do outro lado, o vale do oceano Pacífico, a parte continental entre esses dois vales teria sido comprimida, gerando altas montanhas e cordilheiras. Só assim podemos explicar a presença de conchas marinhas a 4 mil metros de altura na Bolívia.

    É óbvio que ninguém pode, por certo, afiançar o que de fato aconteceu no passado do nosso planeta. Entretanto, podemos perguntar: qual das duas interpretações está mais coerente com os fatos da natureza e é sensivelmente mais viável em toda a sua extensão?
     
    Parece-nos óbvio que a resposta a esta pergunta é a interpretação criacionista que, em sua extensão, incluí fatos da natureza e argumentos científicos. Enquanto isso, a interpretação evolucionista contraria frontalmente leis básicas da Física.

    De resto, também observamos que a interpretação criacionista não fez uso, como recurso, de um único elemento ou argumento teológico.
    ©2026 ABPC. Todos os direitos reservados

    Search