3 O que é a Ciência?

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    Creio que você, que está conosco nesta série, já percebeu que um dos pontos críticos da polêmica entre criacionistas e evolucionistas é o entendimento sobre o que é, de fato, a Ciência. Evolucionistas acusam os criacionistas de não procederem, no trabalho que realizam, de acordo com os parâmetros da Ciência. Criacionistas também consideram como anticientíficos os argumentos de que evolucionistas fazem uso e suas respectivas conclusões. Por este motivo, cremos que algum tempo dedicado à discussão sobre a Ciência propriamente dita será de muito bom proveito para todos nós.

    O trabalho de um cientista consiste na busca de uma explicação para os fenômenos da natureza. Por exemplo, tomemos a chuva como um fenômeno a ser explicado. Durante séculos, a humanidade não teve a menor ideia de como esse fenômeno ocorria sem que o manancial de águas se esgotasse, até que alguns homens de ciência perceberam que o sol aquecia as águas dos rios, dos lagos e dos mares, que evaporavam ganhando as alturas onde se condensavam na forma de nuvens. Em seguida, os ventos levavam essas nuvens para outras regiões onde, por uma questão de pressão e temperatura, novamente se transformavam em pequenas gotas que caíam sobre o solo e que chamamos de chuva.

    Assim como a chuva, muitos fenômenos da natureza podem ser explicados de modo natural, isto é, a partir da própria natureza. Isto levou os cientistas a uma conclusão, no mínimo, questionável: a de que todos os fenômenos da natureza podem ser explicados naturalmente. Em outras palavras, o universo seria toda a nossa realidade, nada existindo além do universo que nos abriga, nada fora do universo porque nem esse "fora" existiria. É assim, portanto, que cientistas hoje entendem a nossa realidade. Uma consequência lógica dessa estrutura de pensamento, que denominamos de naturalismo, é que o sobrenatural não existe, sendo mera fantasia da imaginação humana na tentativa de driblar a suposta realidade de que estamos sós no universo.

    Vemos, portanto, que a adesão ao naturalismo precede todo o trabalho do cientista e, com certeza, determina o que ele pensa a respeito do funcionamento do universo. Agora, verdade seja dita, nada há de científico nessa adesão, tratando-se de um mero ponto de vista. Não há como colocarmos o naturalismo em teste com os instrumentos da Ciência, e isto nos comunica que precisamos adentrar a presente discussão de modo mais objetivo!
     

    O que é a Ciência? Em que ela se fundamenta?

    A palavra "Ciência" vem do latim "Scientia" que significa conhecimento. Ora, conhecimento se pressupõe verdadeiro, donde se conclui que esta palavra designa todo o conhecimento adquirido pela livre investigação da natureza, em busca das leis que regem esses fenômenos, utilizando-se, para isso, de certos métodos e princípios próprios desse tipo de atividade.

    Modernamente, porém, temos nos deparado com uma descrição da Ciência que consideramos espúria e que, cremos, foi cunhada com o único propósito de favorecer a posição evolucionista, possibilitando-a se sobrepor à criacionista. Não raro vemos pessoas defendendo o ponto de vista de que a Ciência é um campo aberto à discussão, sem verdades absolutas, que seus resultados não trazem o estigma dos dogmas, isto é, de afirmações que são meramente consideradas verdadeiras, embora sem as devidas comprovações.

    Comparando esses dois pontos de vista, observamos que eles imputam, à Ciência, definições completamente distintas. Cremos que o segundo ponto de vista, muito defendido nos arraiais evolucionistas, é um equívoco e que a definição de Ciência , hoje, precisa de um tratamento mais objetivo, como elaboramos a seguir:

    Em primeiro lugar, precisamos distinguir a Ciência dos pronunciamentos dos cientistas. Há apenas alguns séculos, por exemplo, a Terra era considerada um ponto fixo no espaço. Isto - dizem alguns livros hoje - era o que a Ciência daquele tempo dizia. Ocorre que a Ciência nunca disse isso por-que, simplesmente, a Ciência não diz nada. Ela não é uma pessoa! A Ciência é constituída de todo o conhecimento que temos do universo como um todo, bem como de cada uma de suas partes. E conhecimento, já dissemos antes, se pressupõe verdadeiro!

    Em outras palavras, se a Terra não é, e nunca foi, um ponto fixo no espaço, isto significa que tal afirmação não é, e nunca foi, Ciência, nem hoje, nem no passado. Foram os homens de ciência daquele tempo que, equivocada e indevidamente se pronunciaram em nome da Ciência afirmando algo que não era real. Bastou a Galileu uma luneta e ele descobriu que a Terra nunca havia sido um ponto fixo no espaço, que ela se movia, e isto sim, foi Ciência da melhor qualidade!

    É um absurdo, portanto, considerar que a Ciência é mutável. Se fosse, não seria confiável e viver seria um completo caos. A Ciência é constituída de leis, como a da gravidade, da biogênese, da termodinâmica etc. e de muitas outras informações a respeito da natureza que são praticamente inquestionáveis. Da Ciência depende o mundo que nós construímos, a indústria, a informática, todo o desenvolvimento tecnológico sem o qual a existência humana parece não mais ser possível. Nada disso seria possível se o conhecimento realmente científico de hoje não fosse o mesmo de amanhã, se o que sabemos de produção, armazenamento e utilização das várias formas de energia, por exemplo, fosse um conhecimento incerto, duvidoso, passível de ser, a qualquer momento, declarado apenas um equívoco.
     
    Houve um tempo, no passado, em que os médicos acreditavam que boa parte das doenças eram devidas a uma má qualidade do sangue em um determinado momento da vida. Ato contínuo, eles prescreviam as sangrias e, para isso, contavam até mesmo com sanguessugas, animais com ventosas e que, colocados sobre a pele, cuidavam de absorver o sangue dos pacientes, possibilitando, a esses pacientes, a renovação de seu sangue. Hoje, a quem diga que esta era a Ciência daquele tempo. Ledo engano. Grande parte das enfermidades a que eles se referiam eram, na verdade, produzidas por vírus e bactérias que haviam adentrado o organismo das pessoas causando efeitos indesejados. Nesse caso, a cura acabou sendo o resultado do combate a esses intrusos e isso sim revelou-se Ciência de verdade. O que se tinha antes não passava de um equívoco dos homens de ciência daquela época.
     
    Terminamos com a constatação de que os homens de ciência são seres humanos como todos nós, passíveis de erros e paixões que muitas vezes obscurecem a nossa capacidade de discernimento e nos induzem a erros. Quando isso acontece, o que eles dizem não pode ser considerado Ciência na mais plena acepção dessa palavra.
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