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Dissemos, em nosso primeiro capítulo, que o criacionismo é um movimento que surgiu no início do século passado, quando cientistas cristãos, incomodados com o advento da teoria da evolução, se propuseram a investigar cientificamente as origens do universo e da vida.
É possível, então, que você esteja se perguntando se o fato desses cientistas serem cristãos não teria prejudicado os rumos dessa investigação. O que podemos dizer a esse respeito é que sempre existe o perigo de um cientista, quando realiza o seu trabalho, se deixar levar por suas convicções. Ernst Haeckel, por exemplo, um cientista alemão que viveu no período 1834-1919, tentou validar a teoria da evolução de modo bastante reprovável.
Ele primeiro cunhou um novo conceito, batizado de teoria da recapitulação, argumentando que os estágios embrionários de uma dada espécie animal recapitulam a história de sua evolução, uma teoria que, na época, ganhou grande popularidade. A nota dissonante, entretanto, foi o fato de que os desenhos apresentados com a figura do desenvolvimento de embriões de várias espécies não eram corretos. Veja os desenhos que Haeckel apresentou à comunidade científica.
Tais desenhos haviam sido engenhosamente manipulados para dar suporte à sua teoria, o que foi descoberto em 1874, ano em que ele foi condenado por um tribunal universitário, confessando a falsificação de apenas parte dos referidos desenhos. Em 1997, a revista Science, baseada num artigo cientifico de M. K. Richardson, argumentou que a extensão da fraude era maior, o que trouxe total descrédito a Haeckel. Veja, agora, as fotos reais dos embriões na segunda linha e compare com os desenhos de Haeckel, na primeira linha, para peixes, slamandras, tartarugas, galinhas, coelhos e humanos.
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Assim, é claro que o cientista, como todos nós sujeito às suas paixões, pode cometer deslizes dessa ordem, não só intencionalmente, como Haeckel, numa flagrante atitude de desonestidade intelectual, mas também sem a intenção de fraudar os resultados, de modo inconsciente, vendo apenas o que quer ver.
Um cientista cristão, entretanto, como cristão que é, tem um compromisso com a verdade, com valores morais particularmente rígidos. Transigir neste ponto seria aplicar um golpe mortal à sua própria fé e isto seria também mortal à sua existência como cientista. Por esse motivo, aqueles cientistas cristãos, bem como todos os demais que os seguiram, se propuseram a investigar a natureza quanto as origens do universo e da vida, na expectativa de que o resultado dessas investigações validasse suas convicções, mas sem qualquer subterfúgio ou ação fraudulenta.
Em outras palavras, a motivação com que um cientista realiza seu trabalho, e sempre há uma, não compromete, necessariamente, os resultados obtidos, a menos que esse cientista se deixe levar por interesses que, no fundo, não correspondem à realidade da Ciência. Mas vamos à nossa próxima pergunta:
A mídia sempre se refere ao criacionismo como sendo uma doutrina religiosa. O que há de verdade nisso?
Não há qualquer verdade nesta afirmação, absolutamente nenhuma! O que há é uma clara intenção por parte dos evolucionistas, e da mídia que os acompanha nessa disposição, de classificar o criacionismo como tal.
Recentemente, em uma reportagem sobre Darwin e sua teoria, encontramos a seguinte afirmação: "a grosso modo, o criacionismo é a ideia de que Deus criou todas as coisas de acordo com a narrativa do livro bíblico de Gênesis. Ele substitui a cautela e os testes por uma certeza absoluta contida no livro mais importante de uma religião do planeta – entretanto, o mundo tem várias religiões".
Ora, por tudo que dissemos até agora, vemos que esta é uma referência ao cristianismo, e não ao criacionismo. É o cristianismo que parte do que a Bíblia diz! Se o criacionismo partisse do que está escrito na Bíblia, considerando esse texto como correto, não haveria qualquer necessidade de se empregar conceitos e métodos científicos para validar seus argumentos que, em princípio, já esta-riam validados em sua origem. Nesse caso, o criacionismo não seria nem fé, nem ciência, muito pelo contrário, seria uma monstruosidade intelectual que não mereceria, de nenhum de nós, a menor consideração.
Agora, é um equívoco pensar que só o criacionismo poderia estar sujeito a subterfúgios ideológicos. Durante anos pensou-se que Richard Dawkins, um cientista nascido no Kênia em 1941, sem-pre se mostrara um dos mais agressivos inimigos do criacionismo por uma questão de preciosismo científico. Afinal, ao longo de sua carreira profissional como especialista na área da Biologia, o Prof. Dawkins havia se tornado um respeitado homem de ciência, tendo sido laureado com o título FRS - Fellow of Royal Society, um título concedido pessoalmente pela Rainha da Inglaterra a cientistas que se destacam em suas áreas de especialidade.
Recentemente, porém, pudemos observar que toda aquela agressividade se devia, em grande par-te, às suas convicções ateístas. No fundo, ele era mais um ateu do que um cientista opondo-se ao criacionismo. Nos últimos anos, ele tem se dedicado a uma ONG por ele fundada com o objetivo de difundir o ateísmo no Reino Unido, distribuindo livros e DVDs aos alunos das escolas públicas para que, segundo ele, as novas gerações estejam conscientes de que Deus não existe.
Assim, julgamos a recusa dos evolucionistas em discutir esta questão como extremamente contra-producente. É, no mínimo, curioso que os que declaram a Ciência um universo aberto ao debate são os mesmos que declaram o seu fechamento, não admitindo que se questione qualquer conceito evolucionista. E vejam bem que esses são os mesmos que acusam os criacionistas de fechamento dogmático em sua estrutura de pensamento! A verdade, e ela precisa ser dita, é que criacionistas têm estado sempre abertos ao debate, enquanto evolucionistas, pelo menos nas últimas décadas, têm se mostrado arredios à perspectiva de colocar seus pontos de vista sobre as origens em discussão.
Criacionistas não pretendem se insurgir contra a verdade científica e tampouco têm a intenção de se afastar do campo de batalha intelectual em que defendem seus pontos de vista. Se desejamos estudar objetivamente a questão das origens, só temos um caminho: examinar a realidade à nossa volta e verificar em que direção apontam as marcas deixadas na natureza. É hora, portanto, de debatermos de modo bem transparente a questão das origens do universo e da vida!
Mas fique ligado! Os próximos capítulos vão mostrar, com detalhes, tudo que aqui dissemos a respeito do criacionismo. Mostraremos, também, fatos a respeito do evolucionismo que vão surpreender a todos, inclusive aos mais empedernidos darwinistas.
