1 O que é o criacionismo?

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    Estamos dando início a esta série sobre as nossas origens, mais precisamente, sobre a polêmica criação x evolução, sobre o criacionismo e o evolucionismo. Não é nosso objetivo, aqui, abordar extensamente o conteúdo criacionista, mas sim discutir o criacionismo como estrutura de pensamento, como estrutura filosófica. Parte desse conteúdo, entretanto, deverá se fazer presente na medida em que se mostrar necessário para ilustrar nossos pontos de vista.

    Recentemente, por causa de um projeto no congresso para que o criacionismo seja ensinado nas escolas públicas de todo o país, a Biomédica Helena Nader, presidente da SBPC, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, entidade que congrega os cientistas brasileiros, veio a público dizer que a organização estava entrando com uma moção para que o referido projeto fosse arquivado. Segundo ela, o ensino do criacionismo iria prejudicar o entendimento dos alunos no que diz respeito à Ciência e seus métodos.

    Veja alguns de seus pronunciamentos:

    O criacionismo não é uma teoria científica, não satisfaz a condição essencial de poder ser testada, refutada, confrontada com a realidade por meio de observações e experiências, de tal modo que se possa verificar se suas afirmações são conforme aos fatos.

    Os argumentos criacionistas são baseados em crenças acerca de uma entidade de fora do mundo natural. Não pode ser investigado pela ciência, que somente investiga os fenômenos que ocorrem naturalmente.

    Nesta mesma oportunidade, ela também declarou:

    O criacionismo é uma crença, que envolve valores éticos e morais. É uma visão de mundo. Não é ciência, não pode ser testado, refutado ou comprovado.

    É nosso objetivo, então, examinar esses conceitos, essas estruturas denominadas criacionismo e evolucionismo, para sabermos se fazem sentido as colocações da presidente da SBPC. Em geral, vemos pronunciamentos de cientistas classificando o evolucionismo como ciência da mais alta qualidade e o criacionismo como a expressão de um pensamento apenas religioso.

    Será que é isso mesmo? Começamos, portanto, uma incursão em busca dessas respostas e, mais do que isso, em busca da verdade sobre as nossas origens. Vamos à primeira pergunta:
     
    O que é o criacionismo? E quem são os criacionistas?

    Vamos começar pela segunda pergunta: quem são os criacionistas? Resumidamente, criacionista é qualquer pessoa que, por força de suas convicções, em geral, religiosas, mas que também podem ser meramente ideológicas, aceita a ideia da existência de um Ser superior, externo ao universo, e que seria a origem, não só do universo como um todo, mas de cada uma de suas partes, em particular, do nosso planeta, dos seres vivos, vegetais e animais, incluindo os seres humanos. Nesse sentido, o criacionismo é uma estrutura de pensamento que abriga toda e qualquer pessoa que se considere criacionista nos termos acima definidos.

    No Brasil, presumidamente, os criacionistas são, em sua maior parte, cristãos das várias correntes aqui representadas: evangélicos, católicos, e demais grupos considerados cristãos. Entretanto, um criacionista não é, necessariamente, um cristão. Há seguidores de outras religiões que também são criacionistas, por exemplo, os muçulmanos que creem em Alá como o Criador.

    Neste trabalho, entretanto, reservaremos o termo "criacionismo" como identificação do movi-mento que teve início na primeira metade do século passado, quando cientistas cristãos se reuniram em uma primeira associação criacionista com o objetivo de investigar cientificamente as origens do universo e da vida. Aqui, a palavra "criacionista" também estará reservada aos integrantes desse movimento.

    Com o tempo, surgiram outras organizações criacionistas, primeiro nos Estados Unidos, depois em outros países, de modo que, hoje, este movimento encontra-se espalhado praticamente por todos os lados. A ABPC - Associação Brasileira de Pesquisa da Criação é uma das vertentes do criacionismo no Brasil.

    Em outras palavras, a intenção desses cientistas era produzir uma ciência das origens de boa qualidade, isenta de definições e conceitos que não espelham a realidade da natureza. Sua intenção era conduzir esse trabalho debaixo do mais rígido padrão de investigação científica, ainda que eventos e fatos ocorridos no passado, como as nossas origens, não permitam esse alcance em toda a sua plenitude.

    Por exemplo, ao nos depararmos com o fóssil de um animal que não existe mais em nossos dias, podemos analisar sua morfologia e concluir, entre outras características, se era bípede ou quadrúpede ou tinha qualquer outra forma de movimentação; observando sua dentição, se era carnívoro, herbívoro ou onívoro, se era mamífero ou não; poderíamos até mesmo conduzir alguns exames laboratoriais com seus ossos e descobrir algumas de suas características não visíveis a olho nu.

    Entretanto, a menos que tivéssemos alguns restos de alimentação em sua boca ou na região do estômago, talvez não pudéssemos dizer de que ele se alimentava e, muito menos, qual a sua espécie preferida como alimento. Seu tempo médio de vida talvez fosse outra incógnita além dos nossos esforços científicos.
     
    A questão é que, quando se fala no debate CRIAÇÃO X EVOLUÇÃO, muitos inclinam-se a entender isso como RELIGIÃO X CIÊNCIA. O conceito de que ambas são incompatíveis tem sido amplamente apregoado, desde os tempos de Copérnico. Ainda hoje, para a maioria dos cientistas, criacionismo é sinônimo de religião, e religião é algo completamente anti-científico e fora da realidade. Este pensamento os tem mantido alheios e omissos no que diz respeito a examinar e até mesmo tomar conhecimento do que se desenvolve nessa área. Várias críticas têm sido levantadas no sentido de minimizar e ridicularizar o movimento criacionista.
     
    Temos, até aqui, experimentado o ensino unilateral do evolucionismo. O resultado tem sido uma geração de jovens que não aprendeu a pensar, expostos a um ABC evolucionista que não deixa margens para discussão. As informações são sempre taxativas e não admitem questionamentos.

    Foi considerando todas essas possibilidades e limitações que aqueles primeiros cientistas fundadores do criacionismo se propuseram a investigar as nossas origens e é exatamente isso que têm perseguido os legítimos herdeiros deste movimento. Repudiamos, portanto, todas as insinuações da mídia e dos cientistas evolucionistas de que, conforme disse a presidente da SBPC, o criacionismo seja uma crença baseada em dogmas religiosos. Vamos mostrar que esta ideia é completamente equivocada.

    Fique conosco nesta série porque você certamente vai se surpreender com a realidade dos fatos acerca do criacionismo e do evolucionismo.
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